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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sanfonas ajudam a formatar um frevo novo

MÚSICA

Sanfonas ajudam a formatar um frevo novo

Forrozeiros voltam a tocar frevos e a ganhar festivais

Publicado em 17/11/2013, às 07h20

José Teles

Um fenômeno para o qual vem se dando pouca atenção: a cada vez maior penetração no frevo por forrozeiros em geral, e sanfoneiros em particular. Beto Hortiz, um dos sanfoneiros dos mais requisitados pelos cantores de forró, tanto para shows, quanto para gravações, é um dos atuais campeões do frevo pernambucano: ele venceu o recente I Festival do Frevo da Humanidade, na categoria frevo-de-rua com Saudades de seu Domingos. É o terceiro primeiro lugar de Hortiz em eventos do gênero promovidos pela prefeitura. Hortiz tem mais três frevos que receberam classificações variadas. O sanfoneiro diz que esta guinada para o frevo foi influência de dois de seus ídolos: “ Dominguinhos e Sivuca, para mim eles foram a maior inspiração. Desde que comecei a tocar sanfona que toco frevo. Em 2007 participei de um festival de frevo no Recife, com Centenário do frevo. De lá para cá entrei em todos os festivais”, conta Beto Hortiz.


Ele tem um projeto com o flautista César Michiles, que vem sendo destaque no frevo instrumental nos festivais de música carnavalesca. Já levou um primeiro lugar, e dois segundos. Michiles tem 15 frevos prontos, e pretende gravar parte deles em um disco que será dividido com Beto Hortiz: “Vamos fazer um CD de frevo com Orquestra e sair pro mundo divulgando o frevo. É um projeto diferenciando, a sanfona e flauta dando uma cor diferente ao frevo. Os arranjos de Marcos FM. Na realidade o projeto é meu, de Beto e dele que vai fazer todos os arranjos do CD”, diz Cesar Michiles. Os dois, Michiles e Hortiz, ostentam um longo currículo de serviços prestados à MPB em geral, e à música pernambucana em particular. O primeiro toca há alguns anos com Geraldo Azevedo, mas também com Elba Ramalho, Alceu Valença, enquanto Beto Hortiz é um dos sanfoneiros preferidos dos forrozeiros, além de tocar frequentemente com a Spokfrevo Orquestra.

Quando se comenta sobre frevo e sanfona, geralmente é lembrado o álbum Forró e frevo, de Sivuca, de 1980, um clássico numa mistura de dois gêneros supostamente com pouca afinidade entre si (ele lançou um segundo volume em 1982). No entanto, Sivuca apenas enfatizou uma prática comum entre os sanfoneiros Nordestinos. Nos anos 60, auge do solista de oito baixos como grandes vendedores de disco. Oito baixos no frevo (em parceria com Bastinho Calixto), é uma das faixas do primeiro álbum de Zé Calixto, um dos grandes da sanfona, aos 74 anos, ainda atuante, e morando no Rio. O irmão mais novo de Zé Calixto, Luizinho, herdou o talento da família. Atualmente mora em Campina Grande, sua cidade natal, onde é professor da cadeira de oito baixos, no Centro de Artes a UFPB. No entanto, nunca compôs, nem gravou frevos.

“Nunca me dediquei ao frevo. Toco uns cinco. Nos anos 60, estava muito na moda sanfoneiro gravar frevo, era como um teste. Sanfoneiro que não tocasse frevo não tinha uma boa qualificação. Embora alguns não tenham seguido isto, feito Pedro Sertanejo. Luizinho ressalta a dificuldade de se tocar frevo num pé-de-bode (com também é conhecido o oito baixos): “É preciso saber escolher a música que vai tocar para não se sacrificar na hora do resfolego. Tem frevo que puxa muito pelo tocador. Entre os frevos que ele toca, e considera que exigem menos do músico estão Gostosão, e Evocação (Nelson Ferreira), Madeira do Rosarinho (Capiba). Vassourinhas também está no repertório de Luizinho Calixto: “Vassourinhas é mais ou menos fácil. Frevo puxa muito para o braço esquerdo, então não se pode tocar com a mesma rapidez como ele é tocado no carnaval. Para mostrar que tem qualidade pra tocar qualquer coisa, pra passar pelo crivo do tocar bem, o sanfoneiro optou pelo chorinho”, comenta o professor Luizinho Calixto.


GERALDO CORREA
Um dos mais antigos tocadores de oito baixos em atividade, o paraibano Geraldo Correia, 85 anos, é o que se pode chamar de lenda viva do forró, se incorrer no pecadilho do clichê. Muita gente acredita que ele já morreu. Mas ele mora em há anos em Campina Grande, está vivo, com saúde, tocando sempre que se lembram dele. Não gosta muito é de falar, dar entrevistas. Luizinho Calixto, que admira o sanfoneiro, raramente o vê, embora morem na mesma cidade: “Ele um dia fala com você, no outro passa sem falar. Também não gosta de telefone”. Ele foi amigo de infância de Jackson do Pandeiro, com quem tocou na juventude, e dividiu apartamento no Rio: “Morei no Recife durante cinco anos, morava em Casa Amarela, perto de onde tinha um coreto. Fui da Rádio Tamandaré. Toquei muitos frevos. Gravei Nelson Ferreira, gravei um frevo bem conhecido, Três da tarde, de Lídio Macacão. Antes, toquei num conjunto com Jackson do Pandeiro em Campina Grande. A gente tocava no cabaré, no Eldorado. Jackson morava no Rio em Olaria, e em Campina no cabaré. A gente tocava, choro, samba, bolero, muito frevo também. O pessoal de hoje tocam mais choro, porque é mais fácil do que frevo”.
Leia mais na edição impressa do Jornal do Commercio deste domingo (17/11).

domingo, 3 de novembro de 2013

I Festival do Frevo da Humanidade - FINAL

Anunciados os vencedores do I Festival do Frevo da Humanidade



Nomes dos artistas premiados foram divulgados neste sábado (26). (Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR)


Durante a segunda noite da finalíssima do I Festival do Frevo da Humanidade, neste sábado (26), foram revelados os nomes dos 15 compositores vencedores da competição. Promovido pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura, o concurso entregou R$ 128 mil em prêmios aos cinco vencedores de cada categoria – Frevo Canção, de Bloco e de Rua –, além do Melhor Arranjo e Melhor Intérprete. O resultado foi anunciado no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.

Em primeiro lugar ficaram o frevo canção de Bráulio e Fátima de Castro, Lá Vem a Ceroula (Homenagem à Cabela), o frevo de bloco de Amaro Samba – 5, intitulado de Bloco das Flores, Uma Declaração de Amor, e o frevo de rua de Beto Hortis, que se chama Que Saudades Seu Domingos, em homenagem ao músico Dominguinhos.

Antes de conhecer a relação dos compositores vencedores, quem foi ao Dona Lindu teve a oportunidade de conhecer frevos inéditos feitos por Roberto Cruz, Bráulio e Fátima de Castro, Dudu do Acordeon, J. Michiles, João Araújo, Ivanar Nunes, Ricardo Andrade, César Michiles, Adriano do Accordeon, Waltinho D’Souza e Beto Hortis.

Enquanto o grupo SaGRAMA se apresentava no local, com um repertório voltado para o carnaval pernambucano, a comissão julgadora selecionava os vencedores. O grupo foi formado pelo maestro Zoca Madureira, o radialista Hugo Martins, a escritora Luzilá Gonçalves, o professor de Música da UFPE Sérgio Godoy e o músico Marcus Vinicius.

Para o encerramento do concurso todos os artistas envolvidos com o I Festival do Frevo da Humanidade foram convocados para o anúncio dos ganhadores. Henrique Albino levou o prêmio de Melhor Arranjo, com o frevo Atravessando a Rua, enquanto que o Melhor Intérprete ficou para Dalva Torres, que cantou o frevo Carta Para Romero Amorim, de João Araújo.

Confira abaixo a relação completa dos vencedores do I Festival do Frevo da Humanidade:

Categoria Frevo Canção
1º lugar: Bráulio e Fátima de Castro, com Lá Vem a Ceroula (Homenagem à Cabela)
2º lugar: Dudu do Acordeon, com Baile Celestial
3º lugar: Getulio Cavalcanti, com Enquanto o Frevo Não Passa
4º lugar: Roberto Cruz, com Folia no Céu
5º lugar: J. Michiles, com Quebrando a Soleira

Categoria Frevo de Bloco
1º lugar: Amaro Samba – 5, com Bloco das Flores, Uma Declaração de Amor (Arranjo Marcos F.M.)
2º lugar: Ricardo Andrade, com Perfume da Poesia
3º lugar: Getulio Cavalcanti, com A Luz da Purpurina
4º lugar: J. Michiles, com Pastoril
5º lugar: Samuel Valente, com Regresso de Sonho e Fantasia

Categoria Frevo de Rua
1º lugar: Beto Hortis, com Que Saudade Seu Domingos (Homenagem a Dominguinhos)
2º lugar: César Michiles, com Esse é o Tom (Arranjo Marcos F.M.)
3º lugar: Henrique Albino, com Atravessando a Rua
4º lugar: Adriano do Accordion, com Pinzon no Frevo
5º lugar: Bruno Santos, com Vamos Ver

Melhor Arranjo – R$ 4 mil
Henrique Albino, com Atravessando a Rua, composição própria

Melhor Intérprete – R$ 4 mil
Dalva Torres, com Carta Para Romero Amorim, de João Araújo
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

I Festival do Frevo da Humanidade

Realizado pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura, nos dias 25 e 26 de outubro de 2013, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.

1º colocado na Categoria Frevo de Bloco
Música: Bloco das Flores, Uma Declaração de Amor
Compositor: Amaro Samba - 5
Intérprete: Coral
Arranjador: Marcos F.M.
Execução: Orquestra de Frevo da Banda Sinfônica da Cidade do Recife
ASSISTA:
http://www.youtube.com/watch?v=0WrBn-tpF04&list=PL0lmw0cPVjiVEUjj2ROelK4G2-9dvMWwH

2º colocado na Categoria Frevo de Rua
Música: Esse é o Tom
Compositor: Cesar Michiles
Intérprete: Cesar Michiles
Arranjador: Marcos F.M.
Execução: Orquestra de Frevo da Banda Sinfônica da Cidade do Recife
ASSISTA:
http://www.youtube.com/watch?v=DigiDCWG2oA&list=PL0lmw0cPVjiVEUjj2ROelK4G2-9dvMWwH

Saiba mais: http://festivalfrevodahumanidade.com.br.